Ana Rita Orioli
A nossa última ‘Gente Daqui’ do ano consegue ser firme como uma rocha e ao mesmo tempo suave como uma pétala de rosa. Quem a conhece vai entender o que estamos querendo transmitir nessa entrevista. Ana Rita Orioli de Souza, filha de Manoel Orioli (in memorian) e Lucilia Miglioli Orioli, ambos de família descendentes de Italianos. Ana Rita nasceu em Floriano (Barra Mansa), mas foi registrada em Porto Real (no distrito de Floriano não havia cartório).
Irmãos: Maria Amélia, José Antônio e Paulo Afonso.
Avós: Adílio Miglioli e Amélia de Barros Viana (maternos). Romualdo Orioli e Amélia Tavernari Orioli (paternos).
Esposo: Lauro de Souza, com quem ela está casada há 33 anos. Ele é engenheiro e sócio-proprietário da empresa CIVAP (Construções Industriais Vale do Paraíba Ltda), sediada em Porto Real.
Filhos: Luciano Orioli de Souza (falecido em 2007) – engenheiro civil e Lucas Orioli de Souza – jornalista e hoje sócio do pai na empresa.
Ana Rita foi criada em Floriano, em Porto Real e em Quatis. Ela conta que teve uma infância muito feliz colhendo jabuticaba e andando de bicicleta dentro d’água.
- Quando chovia muito o Rio Paraíba do Sul transbordava e suas águas atravessavam a estrada que liga Floriano a Porto Real. Joguei muita bolinha de gude com a molecada da época e também brigava com os meninos que queriam me roubar no jogo. Que o diga o Jorge apelidado de VOVÔ - recorda.
Ana Rita estudou na escola da Dona Julinha Marassi, que segundo ela, era uma ‘senhora professora’. Aos 11 anos foi estudar em Resende porque não havia curso ginasial em Porto Real e Floriano. Cursou o ginásio até se formar em professora, no Colégio Santa Ângela.
- Aprendi a valorizar o ser humano e agradecer as bênçãos que vem do Céu. Tive muitas amigas no colégio (naquela época só estudavam meninas) - lembra.
Como era filha de produtor rural, os recursos financeiros eram pequenos e não dava para ir e voltar de Resende todos os dias. Além disso, não existia facilidade de horários de ônibus como hoje. Saía um ônibus de Quatis às 6 horas e depois outro às 11 horas. Se perdesse o primeiro, perdia a aula do dia, ou então ficava aguardando carona, principalmente da professora Wilna Santos (que morava em Porto Real).
- Quando havia trabalho em equipe ficava em Resende, revezando nas casas de Maria Carmem, hoje dona do Ponto 107 (filha do Sr. Sebastião Cardoso e dona Flauzina); Maria Tereza Rodrigues (filha do Dr. Haroldo e dona Tereza); Marila Pereira (filha do Sr. Izaltino e dona Maria); Marlize Piriquito (filha do Sr. Waldir e dona Marília) e Munira Simão (sobrinha da dona Olga Tufik). Após a conclusão dos trabalhos escolares aproveitava para aprender um pouco de tudo. Com dona Flauzina aprendi a fazer bombons de uva. Com dona Tereza aprendi a arrumar uma boa mesa para as refeições. Com dona Maria aprendi a fazer um bom prato de almôndegas. Com dona Marília aprendi a tentar fazer tranças no meu cabelo que era extremamente liso. Já dona Olga me levou para o Conservatório Musical, onde aprimorei para tocar meu Acordeon. O instrumento foi presente do meu avô Adílio, com o intuito de que eu tocasse a música que ele mais gostava ‘Saudades de Matão’, cuja professora era Regina Dezós de Porto Real - conta Ana Rita.
Aos 14 anos ela alfabetizava adultos, juntamente com Elza Maria e Marilda Porto, dentro do programa do Governo do Estado, intitulado Cruzada ABC, que mais tarde passou a se chamar Mobral. Segundo ela, a primeira escola foi na fazenda São Sebastião do Grupo Coca-Cola, que fornecia condução com os motoristas Nayle Cianelli, Neco e Esquerdinha. Enquanto aguardavam os alunos soltarem o gado para dar início às aulas, as professoras comiam broa de fubá com café na casa da dona Alcina Alves (excelente costureira). Depois elas foram dar aula em escolas de Quatis, Floriano e Barra Mansa. Por fim, Ana Rita foi dar aula no Santa Ângela, em salas cedidas pelas irmãs. No último ano do Normal, foi convidada a ser secretária do Banco Crefisul de Investimentos, que estava sendo aberto em Resende através do João Bosco Azevedo – o Bosquinho, marido da Cibele (filha do tio Rachid e da tia Yone).
- Essas pessoas ajudaram muito meu pai quando ele se queimou num socorro que foi dar a um veículo na Dutra e precisou ficar no Rio de Janeiro. Fiquei trabalhando com ele até ser convidada para ocupar uma das vagas na antiga Indústrias Químicas (IQR). Secretariei então o Dr. Rudolf Walter (gerente administrativo). Lá trabalhei com vários europeus: Stuts, Smaltz, Ralf, Cornélio, Rostock, Volf Maia, etc, além de uma grande quantidade de brasileiros inteligentíssimos. Foi na IQR que vi meu trabalho de professora sendo útil, quando o então jardineiro que também se chamava Adílio, com 65 anos de idade, me chamou para vê-lo assinar o seu contra-cheque, ou seja, foi aluno meu na Cruzada ABC – relata.
Em função dessa recompensa, ela retornou aos estudos, principalmente no aprimoramento da língua portuguesa. Cursou também Inglês e Francês. Alega que só não teve chance de estudar o alemão, apesar de ter que digitar textos nesta língua. Foi então, que Dr. Anatole Cordeiro da Costa – o grande mineiro, a convidou para fazer parte do Grupo Sandoz Brasil, a famosa Fábrica Galênica – produtos farmacêuticos.
- Fábrica esta que não podia ter ido embora de Resende, pois empregava muita mão-de-obra feminina. Convivi muitos anos com os funcionários, até aprendi a jogar truco – Sr. Geraldo Mendes que o diga. Juro que não blefava! Não vou citar nomes, pois são muitos e não quero cometer injustiças, uma vez que minha memória não é mais a mesma de antes. Mas recordo-me do bom convívio e da boa camaradagem, que me ajudou a concluir os estudos, pois ainda por causa da dificuldade de condução, ficava na casa de Ana Maria Pimenta, cujos pais me tratavam como se eu fosse sua filha. Aninha com o pai são meus padrinhos de casamento, juntamente com José Sarkis e Vilma, amigos da Igreja Católica a qual pertenço - afirma.
Em abril de 1975, na época o gerente Sr. Flávio J.R. Aguiar (que por sinal Ana Rita soube que é um excelente marceneiro e reza por ele todo dia 20 de fevereiro, pois é seu aniversário), autorizou que ela deixasse a Sandoz porque em maio iria se casar e se mudaria com Lauro para Taubaté (SP). Seu marido era professor de Matemática na Faculdade dessa cidade. Além disso, havia se formado em Engenharia Civil e conseguido um bom emprego na empresa Hortif, que estava fazendo a obra da nova Volkswagen.
- Moramos em Taubaté cerca de 10 meses, quando Lauro foi transferido para a obra de Ermelino Matarazzo (hoje bairro próximo ao aeroporto de Cumbica/SP). Concluída essa obra, ele foi transferido para Belo Horizonte. Passamos ainda pela também cidade mineira Vespasiano e novamente viemos para São Paulo. De volta moramos em Taboão da Serra, para a construção da expansão da Ciba-Geigy. Depois de tantas mudanças surgiu a esperança de ficar mais de um ano num determinado lugar – COSIPA-SP. Descemos a serra e fomos morar em Santos, onde nasceram meus dois lindos filhos. Ficamos no litoral paulista por seis anos - recorda.
Em 1982, Ana Rita voltou à terra natal Floriano. Foi quando começou a trabalhar no Escritório de Contabilidade do seu cunhado, Luiz Fernando de Oliveira Alves, juntamente com Helinho ‘Pé de Couve’ e Edvar Dias, em Barra Mansa. Nessa fase ela aprendeu a gostar de contabilidade.
- Também pudera, com tão bons professores! Ficamos morando na cidade por causa da escola das crianças e porque Lauro novamente estava trabalhando em Belo Horizonte, construindo o Carrefour da Pampulha. Depois ele foi para o Rio de Janeiro trabalhar na Shell Brasil. Fiquei cerca de seis anos nesse escritório, quando fiz uma sociedade com Vanir Vaz Teixeira, em Volta Redonda. Nesse período fiz, por insistência dos meus filhos e apoio total de Lauro, a faculdade de Ciências Contábeis na FOA/Volta Redonda. Excelentes professores. Não poderia deixar de citar a professora Vera Nunes e o professor Gilvan que me apoiaram muito na carreira. Todos os colegas me chamavam de ‘Mãezona', também pudera, eu já estava com 40 anos - brinca.
Após o término do curso superior, resolveu fazer pós-graduação em Gestão Empresarial, uma vez que haviam 77 firmas sob a responsabilidade do seu escritório. Terminou o curso em outubro de 2006, quando Porto Real se emancipou de Resende. Recebeu o convite do então prefeito eleito, Sérgio Bernardelli, para fazer parte da sua gestão como Secretária de Administração e Finanças (acumulava as secretarias porque o município estava começando e o dinheiro era muito curto).
- Tenho orgulho de dizer que ajudei a fazer Porto Real. Trabalhamos muito mesmo. Tive aqui dois grandes professores e mestres na área pública: Dr. Carlos Serra e João Paulo dos Santos. Sorte do Bernardelli, pois a equipe era super unida e uns ajudavam os outros. Todos tinham o mesmo objetivo: fazer de Porto Real a cidade mais linda do sul do Estado, onde poderíamos criar nossos filhos com tranqüilidade, pois era ali que se instalaram nossos antepassados. Além disso, era o sonho do meu pai (que todos o chamavam de Nininho Orioli) ver Porto Real se emancipar e ser uma grande cidade. Saí da Prefeitura, mas eu e minha família decidimos morar no município. Foi quando vendemos nosso apartamento em Barra Mansa e compramos uma bela casa (meu agradecimento sincero ao proprietário Luis Fernando Vieira). Casa esta que sempre está de portas abertas para quem quiser nos presentear com sua companhia, bater um bom papo, escutar ou tocar uma boa música - afirma.
Apesar de ter uma boa casa, Ana Rita diz que pouco curte o lar, uma vez que desde junho de 2002 veio trabalhar em Resende, na Câmara Municipal, a convite do então presidente Alceu Vilela Paiva Júnior. Era para fazer um trabalho de pouco mais de seis meses. Segundo ela, o ‘famoso SIGFIS’ (Sistema Integrado de Gestão Fiscal) - informações da movimentação contábil, financeira e patrimonial que o município tem que enviar mensalmente ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), a fim de demonstrar a boa aplicabilidade do dinheiro público. Em 2003, a convite do então presidente Paulo César Cardoso, assumiu a Tesouraria da Câmara. Em 2004 foi a vez de Alcides De Carli assumir a presidência e a convidou novamente para exercer a função de Consultora de Economia e Finanças, cargo que ocupa até a presente data. Com Alcides trabalhou nos seus três anos de mandato, quando então em 2006 entrou o novo presidente Joaquim Romério de Almeida, convidando-a a dar continuidade ao bom funcionamento da Câmara.
- Minha equipe é ótima, sozinha não faço nada. Os trabalhos são bem desenvolvidos porque somos unidos por uma mesma causa – devolver à comunidade a boa aplicação dos impostos pagos. Nesses seis anos e meio costumo dizer que mais vivi com a equipe da Câmara, do que com minha própria família. Após a perda do meu filho foi esta equipe que não me deixou cair num buraco sem volta. Obrigaram-me a não esmorecer. Não posso deixar de dizer para as meninas funcionárias, colaboradoras e vereadoras: vocês são maravilhosas. São mulheres capazes, batalhadoras e me orgulho muito de vocês. Quanto aos meninos funcionários, colaboradores e vereadores: tenho muito carinho por vocês também. São homens que merecem todo meu respeito. Para vocês terem idéia do carinho pela minha pessoa, comecei um curso em outubro de 2006 e terminei em março de 2008, faltando apenas o artigo científico. Foi muito difícil fazê-lo, pois justamente nesse período perdi Luciano (2007), mas a Elizabete (contadora da Câmara) foi quem mais me ajudou e incentivou para concluir. A ela não tenho palavras de agradecimentos - ressalta.
Depois de quase sete anos de trabalho na Câmara, Ana Rita tem em 2009 um novo desafio. Ela recebeu o convite do prefeito eleito José Rechuan Júnior para participar na nova legislatura 2009/2012, convite este que a encheu de orgulho.
- Espero poder continuar contribuindo com o município, que tanto me acolheu. Se meu trabalho ajudar Resende a crescer, a ter desenvolvimento e qualidade de vida, já valeu todo meu esforço e dedicação até aqui - conclui.
Religião: “Sou da Igreja Católica Apostólica Romana, mas respeito todas as religiões, pois acredito que todos buscam a Deus. Pertenço e participo da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro Jardim Real”.
Hobby: “Tocar minha sanfona é um prazer, é uma viagem. Hoje não toco muito por causa do pouco tempo. Em Porto Real foi criado há dois anos e meio, um grupo que tocava às segundas-feiras, nas casas ou nos bares da cidade. Paralisamos um pouco esse encontro, mas parece que retornaremos em breve. Tão logo isto aconteça, prometo que convidarei a todos para me verem tocar. Como diz minha mãe: a música faz bem para a alma”.
Mensagem: “Faça, erre, tente, lute, mas, por favor, não jogue fora se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido, pois somente levaremos desta vida aquilo que de bom fizermos aqui na terra”.
A nossa última ‘Gente Daqui’ do ano consegue ser firme como uma rocha e ao mesmo tempo suave como uma pétala de rosa. Quem a conhece vai entender o que estamos querendo transmitir nessa entrevista. Ana Rita Orioli de Souza, filha de Manoel Orioli (in memorian) e Lucilia Miglioli Orioli, ambos de família descendentes de Italianos. Ana Rita nasceu em Floriano (Barra Mansa), mas foi registrada em Porto Real (no distrito de Floriano não havia cartório).
Irmãos: Maria Amélia, José Antônio e Paulo Afonso.
Avós: Adílio Miglioli e Amélia de Barros Viana (maternos). Romualdo Orioli e Amélia Tavernari Orioli (paternos).
Esposo: Lauro de Souza, com quem ela está casada há 33 anos. Ele é engenheiro e sócio-proprietário da empresa CIVAP (Construções Industriais Vale do Paraíba Ltda), sediada em Porto Real.
Filhos: Luciano Orioli de Souza (falecido em 2007) – engenheiro civil e Lucas Orioli de Souza – jornalista e hoje sócio do pai na empresa.
Ana Rita foi criada em Floriano, em Porto Real e em Quatis. Ela conta que teve uma infância muito feliz colhendo jabuticaba e andando de bicicleta dentro d’água.
- Quando chovia muito o Rio Paraíba do Sul transbordava e suas águas atravessavam a estrada que liga Floriano a Porto Real. Joguei muita bolinha de gude com a molecada da época e também brigava com os meninos que queriam me roubar no jogo. Que o diga o Jorge apelidado de VOVÔ - recorda.
Ana Rita estudou na escola da Dona Julinha Marassi, que segundo ela, era uma ‘senhora professora’. Aos 11 anos foi estudar em Resende porque não havia curso ginasial em Porto Real e Floriano. Cursou o ginásio até se formar em professora, no Colégio Santa Ângela.
- Aprendi a valorizar o ser humano e agradecer as bênçãos que vem do Céu. Tive muitas amigas no colégio (naquela época só estudavam meninas) - lembra.
Como era filha de produtor rural, os recursos financeiros eram pequenos e não dava para ir e voltar de Resende todos os dias. Além disso, não existia facilidade de horários de ônibus como hoje. Saía um ônibus de Quatis às 6 horas e depois outro às 11 horas. Se perdesse o primeiro, perdia a aula do dia, ou então ficava aguardando carona, principalmente da professora Wilna Santos (que morava em Porto Real).
- Quando havia trabalho em equipe ficava em Resende, revezando nas casas de Maria Carmem, hoje dona do Ponto 107 (filha do Sr. Sebastião Cardoso e dona Flauzina); Maria Tereza Rodrigues (filha do Dr. Haroldo e dona Tereza); Marila Pereira (filha do Sr. Izaltino e dona Maria); Marlize Piriquito (filha do Sr. Waldir e dona Marília) e Munira Simão (sobrinha da dona Olga Tufik). Após a conclusão dos trabalhos escolares aproveitava para aprender um pouco de tudo. Com dona Flauzina aprendi a fazer bombons de uva. Com dona Tereza aprendi a arrumar uma boa mesa para as refeições. Com dona Maria aprendi a fazer um bom prato de almôndegas. Com dona Marília aprendi a tentar fazer tranças no meu cabelo que era extremamente liso. Já dona Olga me levou para o Conservatório Musical, onde aprimorei para tocar meu Acordeon. O instrumento foi presente do meu avô Adílio, com o intuito de que eu tocasse a música que ele mais gostava ‘Saudades de Matão’, cuja professora era Regina Dezós de Porto Real - conta Ana Rita.
Aos 14 anos ela alfabetizava adultos, juntamente com Elza Maria e Marilda Porto, dentro do programa do Governo do Estado, intitulado Cruzada ABC, que mais tarde passou a se chamar Mobral. Segundo ela, a primeira escola foi na fazenda São Sebastião do Grupo Coca-Cola, que fornecia condução com os motoristas Nayle Cianelli, Neco e Esquerdinha. Enquanto aguardavam os alunos soltarem o gado para dar início às aulas, as professoras comiam broa de fubá com café na casa da dona Alcina Alves (excelente costureira). Depois elas foram dar aula em escolas de Quatis, Floriano e Barra Mansa. Por fim, Ana Rita foi dar aula no Santa Ângela, em salas cedidas pelas irmãs. No último ano do Normal, foi convidada a ser secretária do Banco Crefisul de Investimentos, que estava sendo aberto em Resende através do João Bosco Azevedo – o Bosquinho, marido da Cibele (filha do tio Rachid e da tia Yone).
- Essas pessoas ajudaram muito meu pai quando ele se queimou num socorro que foi dar a um veículo na Dutra e precisou ficar no Rio de Janeiro. Fiquei trabalhando com ele até ser convidada para ocupar uma das vagas na antiga Indústrias Químicas (IQR). Secretariei então o Dr. Rudolf Walter (gerente administrativo). Lá trabalhei com vários europeus: Stuts, Smaltz, Ralf, Cornélio, Rostock, Volf Maia, etc, além de uma grande quantidade de brasileiros inteligentíssimos. Foi na IQR que vi meu trabalho de professora sendo útil, quando o então jardineiro que também se chamava Adílio, com 65 anos de idade, me chamou para vê-lo assinar o seu contra-cheque, ou seja, foi aluno meu na Cruzada ABC – relata.
Em função dessa recompensa, ela retornou aos estudos, principalmente no aprimoramento da língua portuguesa. Cursou também Inglês e Francês. Alega que só não teve chance de estudar o alemão, apesar de ter que digitar textos nesta língua. Foi então, que Dr. Anatole Cordeiro da Costa – o grande mineiro, a convidou para fazer parte do Grupo Sandoz Brasil, a famosa Fábrica Galênica – produtos farmacêuticos.
- Fábrica esta que não podia ter ido embora de Resende, pois empregava muita mão-de-obra feminina. Convivi muitos anos com os funcionários, até aprendi a jogar truco – Sr. Geraldo Mendes que o diga. Juro que não blefava! Não vou citar nomes, pois são muitos e não quero cometer injustiças, uma vez que minha memória não é mais a mesma de antes. Mas recordo-me do bom convívio e da boa camaradagem, que me ajudou a concluir os estudos, pois ainda por causa da dificuldade de condução, ficava na casa de Ana Maria Pimenta, cujos pais me tratavam como se eu fosse sua filha. Aninha com o pai são meus padrinhos de casamento, juntamente com José Sarkis e Vilma, amigos da Igreja Católica a qual pertenço - afirma.
Em abril de 1975, na época o gerente Sr. Flávio J.R. Aguiar (que por sinal Ana Rita soube que é um excelente marceneiro e reza por ele todo dia 20 de fevereiro, pois é seu aniversário), autorizou que ela deixasse a Sandoz porque em maio iria se casar e se mudaria com Lauro para Taubaté (SP). Seu marido era professor de Matemática na Faculdade dessa cidade. Além disso, havia se formado em Engenharia Civil e conseguido um bom emprego na empresa Hortif, que estava fazendo a obra da nova Volkswagen.
- Moramos em Taubaté cerca de 10 meses, quando Lauro foi transferido para a obra de Ermelino Matarazzo (hoje bairro próximo ao aeroporto de Cumbica/SP). Concluída essa obra, ele foi transferido para Belo Horizonte. Passamos ainda pela também cidade mineira Vespasiano e novamente viemos para São Paulo. De volta moramos em Taboão da Serra, para a construção da expansão da Ciba-Geigy. Depois de tantas mudanças surgiu a esperança de ficar mais de um ano num determinado lugar – COSIPA-SP. Descemos a serra e fomos morar em Santos, onde nasceram meus dois lindos filhos. Ficamos no litoral paulista por seis anos - recorda.
Em 1982, Ana Rita voltou à terra natal Floriano. Foi quando começou a trabalhar no Escritório de Contabilidade do seu cunhado, Luiz Fernando de Oliveira Alves, juntamente com Helinho ‘Pé de Couve’ e Edvar Dias, em Barra Mansa. Nessa fase ela aprendeu a gostar de contabilidade.
- Também pudera, com tão bons professores! Ficamos morando na cidade por causa da escola das crianças e porque Lauro novamente estava trabalhando em Belo Horizonte, construindo o Carrefour da Pampulha. Depois ele foi para o Rio de Janeiro trabalhar na Shell Brasil. Fiquei cerca de seis anos nesse escritório, quando fiz uma sociedade com Vanir Vaz Teixeira, em Volta Redonda. Nesse período fiz, por insistência dos meus filhos e apoio total de Lauro, a faculdade de Ciências Contábeis na FOA/Volta Redonda. Excelentes professores. Não poderia deixar de citar a professora Vera Nunes e o professor Gilvan que me apoiaram muito na carreira. Todos os colegas me chamavam de ‘Mãezona', também pudera, eu já estava com 40 anos - brinca.
Após o término do curso superior, resolveu fazer pós-graduação em Gestão Empresarial, uma vez que haviam 77 firmas sob a responsabilidade do seu escritório. Terminou o curso em outubro de 2006, quando Porto Real se emancipou de Resende. Recebeu o convite do então prefeito eleito, Sérgio Bernardelli, para fazer parte da sua gestão como Secretária de Administração e Finanças (acumulava as secretarias porque o município estava começando e o dinheiro era muito curto).
- Tenho orgulho de dizer que ajudei a fazer Porto Real. Trabalhamos muito mesmo. Tive aqui dois grandes professores e mestres na área pública: Dr. Carlos Serra e João Paulo dos Santos. Sorte do Bernardelli, pois a equipe era super unida e uns ajudavam os outros. Todos tinham o mesmo objetivo: fazer de Porto Real a cidade mais linda do sul do Estado, onde poderíamos criar nossos filhos com tranqüilidade, pois era ali que se instalaram nossos antepassados. Além disso, era o sonho do meu pai (que todos o chamavam de Nininho Orioli) ver Porto Real se emancipar e ser uma grande cidade. Saí da Prefeitura, mas eu e minha família decidimos morar no município. Foi quando vendemos nosso apartamento em Barra Mansa e compramos uma bela casa (meu agradecimento sincero ao proprietário Luis Fernando Vieira). Casa esta que sempre está de portas abertas para quem quiser nos presentear com sua companhia, bater um bom papo, escutar ou tocar uma boa música - afirma.
Apesar de ter uma boa casa, Ana Rita diz que pouco curte o lar, uma vez que desde junho de 2002 veio trabalhar em Resende, na Câmara Municipal, a convite do então presidente Alceu Vilela Paiva Júnior. Era para fazer um trabalho de pouco mais de seis meses. Segundo ela, o ‘famoso SIGFIS’
(Sistema Integrado de Gestão Fiscal) - informações da movimentação contábil, financeira e patrimonial que o município tem que enviar mensalmente ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), a fim de demonstrar a boa aplicabilidade do dinheiro público. Em 2003, a convite do então presidente Paulo César Cardoso, assumiu a Tesouraria da Câmara. Em 2004 foi a vez de Alcides De Carli assumir a presidência e a convidou novamente para exercer a função de Consultora de Economia e Finanças, cargo que ocupa até a presente data. Com Alcides trabalhou nos seus três anos de mandato, quando então em 2006 entrou o novo presidente Joaquim Romério de Almeida, convidando-a a dar continuidade ao bom funcionamento da Câmara.
- Minha equipe é ótima, sozinha não faço nada. Os trabalhos são bem desenvolvidos porque somos unidos por uma mesma causa – devolver à comunidade a boa aplicação dos impostos pagos. Nesses seis anos e meio costumo dizer que mais vivi com a equipe da Câmara, do que com minha própria família. Após a perda do meu filho foi esta equipe que não me deixou cair num buraco sem volta. Obrigaram-me a não esmorecer. Não posso deixar de dizer para as meninas funcionárias, colaboradoras e vereadoras: vocês são maravilhosas. São mulheres capazes, batalhadoras e me orgulho muito de vocês. Quanto aos meninos funcionários, colaboradores e vereadores: tenho muito carinho por vocês também. São homens que merecem todo meu respeito. Para vocês terem idéia do carinho pela minha pessoa, comecei um curso em outubro de 2006 e terminei em março de 2008, faltando apenas o artigo científico. Foi muito difícil fazê-lo, pois justamente nesse período perdi Luciano (2007), mas a Elizabete (contadora da Câmara) foi quem mais me ajudou e incentivou para concluir. A ela não tenho palavras de agradecimentos - ressalta.
Depois de quase sete anos de trabalho na Câmara, Ana Rita tem em 2009 um novo desafio. Ela recebeu o convite do prefeito eleito José Rechuan Júnior para participar na nova legislatura 2009/2012, convite este que a encheu de orgulho.
- Espero poder continuar contribuindo com o município, que tanto me acolheu. Se meu trabalho ajudar Resende a crescer, a ter desenvolvimento e qualidade de vida, já valeu todo meu esforço e dedicação até aqui - conclui.
Religião: “Sou da Igreja Católica Apostólica Romana, mas respeito todas as religiões, pois acredito que todos buscam a Deus. Pertenço e participo da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no bairro Jardim Real”.
Hobby: “Tocar minha sanfona é um prazer, é uma viagem. Hoje não toco muito por causa do pouco tempo. Em Porto Real foi criado há dois anos e meio, um grupo que tocava às segundas-feiras, nas casas ou nos bares da cidade. Paralisamos um pouco esse encontro, mas parece que retornaremos em breve. Tão logo isto aconteça, prometo que convidarei a todos para me verem tocar. Como diz minha mãe: a música faz bem para a alma”.
Mensagem: “Faça, erre, tente, lute, mas, por favor, não jogue fora se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido, pois somente levaremos desta vida aquilo que de bom fizermos aqui na terra”.
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